
Confira a seguir algumas dicas dadas por fotógrafos experientes para situações como reportagens sociais, editoriais de moda e books, ensaios fotográficos, entre outros. Os macetes não precisam ser seguidos à risca, pois as novas soluções podem ser geradas com a criatividade e a iniciativa de cada um. Estas "receitas do sucesso", no entanto, se apresentam como um roteiro de padrões largamente experimentados, usados e aprovados por fotógrafos de todo o mundo.
BOOK
Situações - retratos de pessoas em geral ao ar livre ou em ambientes internos close de modelos em meio corpo e em poses variadas.
Objetiva - zoom de 80/105/135 mm — uma 200 ou 300 mm também ajuda.
Flash - da máquina ou independente. Na externas, use o fill-flash (de preenchimento) ou para efeito com luz direta (sem rebatedor) nas internas, use o flash rebatido em cartão branco ou, de preferência, em alguma superfície branca do teto ou parede, mesmo que bem lateral à modelo.
Regulagem - prefira fotos com o fundo desfocado, o que requer grandes aberturas, como f/5.6 ou maior (se possível). Para tanto, use o modo de prioridade de abertura da câmera nas fotos onde o modelo se movimenta, use o modo "P" de automático total nas fotos em ambientes internos, experimente inicialmente fotografar aproveitando a luz que vem de uma janela ou porta com flash, use o modo manual e regule a velocidade em 1/30s e abertura f/5.6 (se possível).
Técnica - nunca faça retratos bem de frente da pessoa, que poderá sair com jeitão de foto 3 x 4. Sempre coloque a pessoa levemente com o corpo voltado para um dos lados, mas olhando de frente para a câmera. Se a luz vier de um dos lados ou na contra-luz, o close ficará muito melhor. Fotos de modelos em enquadramentos de corpo inteiro não devem ser estáticas e de frente: a modelo, de preferência, deve estar apoiada numa parede ou veículo, sentada no chão ou numa escada, deitada ou agachada. Vale qualquer ângulo elegante que apresente uma modelo bonita, simpática e charmosa.
Cuidados - fotografar modelos tem muitos segredos criados para esconder defeitos e tirar partido da beleza. Deve-se ter muito cuidado ao enquadrar pés, mãos, pescoço, joelhos, axilas e barriga. Fotografe sempre com calma para deixar a modelo bem à vontade e relaxada. O sorriso — leve — é bem-vindo. Jamais fotografe se o semblante estiver carregado, preocupado ou triste.
USANDO O FLASH
Um dos principais segredos da fotografia é utilizar o flash corretamente. Existem dois principais tipos de flash: o flash embutido/acoplado, aquele que fica na própria câmera, e o flash de estúdio, que é montado em tripés e gruas no local onde as fotos serão realizadas.
O flash embutido é bastante prático e ajuda a tirar fotos em qualquer lugar. Porém, observamos alguns problemas comuns: olhos vermelhos, luz estourada (esbranquiçando o objetivo da foto), fundo escuro demais, foto escura quando em maior distância, falta de sombras (remove os contornos e detalhes, deixando a foto com efeito "chapado"), dentre outros.
Com o flash muito perto, sua foto pode ficar muito clara. Com o flash muito longe, sua foto ficará escura. Com o flash apontado diretamente para o objetivo da foto, geralmente perde-se as sombras naturais, contornos do rosto e alguns detalhes que talvez queremos fotografar.
Utilizar o flash acoplado na câmera exige alguns cuidados. Não fique muito longe do objeto. Por exemplo, ao fotografar um show, nunca use flash. O objetivo fica muito distante e a luz do flash não conseguirá percorrer, por exemplo, 30 metros, até chegar no palco. Fotos com flash neste caso vai iluminar as cabeças à sua frente, e o palco ficará escuro. Prefira utilizar a velocidade mais baixa e uma regulagem de ISO maior. Caso você use filme em câmera convencional, utilize um filme de alta sensibilidade (ISO 800 por exemplo), ou até mesmo "puxar o filme" para um ISO maior (lembre-se que esta técnica pode danificar e perder o filme).
Tirar fotos de pessoas em frente à uma paisagem distante tem o mesmo problema. O obturador terá uma velocidade rápida por causa do flash (1/125 geralmente), que é suficiente para o plano da frente, porém, a luz não chegará no plano de fundo, e ficará escuro. Algumas câmeras possuem o modo "slow flash", geralmente indicado pelas letras "SL" no visor. Este recurso utilizará um tempo maior para o obturador (1/60 ou 1/40, por exemplo) - Que permitirá captar a luz tanto no plano da frente como no plano de fundo. Caso seja necessário, utilize um tripé ou uma base imóvel para utilizar um tempo mais lento, mas lembre-se de pedir para que as pessoas fiquem imóveis durante o tempo de abertura do obturador.
Evite tirar fotos com menos de 2 metros do objetivo, para não iluminá-lo demais e deixar aquele efeito chapado e esbranquiçado. Se seu flash é móvel, você pode tentar um ângulo de 45º, utilizando um rebatedor simples (pedaço de papel com elástico de dinheiro já serve!), assim você terá luz rebatida e indireta, trazendo mais vida para a foto.
Se seu flash possui regulagem de potência, você pode experimentar usar cargas menores ou maiores de acordo com a distância que vai fotografar. Alguns flashes permitem informar a distância do objetivo para que ele sozinho regule a carga, ou até mesmo usar o recurso de TTL.
Fotos sem a utilização do flash costumam ser mais bonitas. Compense a falta de luz com maior tempo na abertura. Utilize um tripé para evitar o tremor natural (claro que nem sempre essa técnica poderá ser aplicada, caso o objeto esteja em movimento, por exemplo). Fotos sem flash preservam a luminosidade natural da foto!
A descoberta da fotografia e sua evolução nos aproximou das pessoas, culturas, lugares. As fotos nos revelam hábitos, registram momentos de violência, amor, amizade, alegria e solidariedade. Elas ajudam cada povo a criar sua identidade e nos revelam momentos e épocas passadas. Cada foto conta e guarda um pedaço da nossa história. E seu valor não se limita ao que ela nos mostra, mas as perguntas que ela nos estimula a fazer.
A fotografia, quando começou a ser usada na imprensa, carregava em si um discurso de que era a mimese da realidade, um fato em si. Até o século XIX, a fotografia era visto como um artefato objetivo, desnudado de todo e qualquer subjetividade. Mas com o discurso da semiótica e da semiologia, e a idéia de que o olhar do fotógrafo influencia no resultado e carrega a fotografia de sentidos, a fotografia perdeu um pouco de seu status como descrição verídica da realidade.
Através do enquadramento, o fotógrafo compõe o cenário retratado, podendo colocar como assunto o que ele quiser. É ai que entra a subjetividade do fotógrafo. E essa subjetividade pode ser utilizada de forma interessante quando a sensibilidade do fotógrafo consegue registrar um momento único.
Nenhum comentário:
Postar um comentário